O soco racional

"Aqui vemos sonhos tirados de livros"

A esperança (Friedrich Nietzsche)

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Pandora trouxe o vaso que continha os males e o abriu. Era o presente dos deuses aos homens, exteriormente um presente belo e sedutor, denominado “vaso da felicidade”. E todos os males, seres vivos alados, escaparam voando: desde então vagueiam e prejudicam os homens dia e noite. Um único mal ainda não saíra do recipiente; então seguindo a vontade de Zeus, Pandora repôs a tampa, e ele permaneceu dentro. O homem tem agora o vaso da felicidade, e pensa maravilhas do tesouro que nele possui; este se acha a sua disposição: ele o abre quando quer; pois não sabe que Pandora lhe trouxe o recipiente dos males, e para ele o mal que restou é o maior dos bens – é a esperança – Zeus quis que os homens por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a se deixar torturar. Para isso lhe deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens.

Bibliografia: Nietzsche, Friedrich. Humano, Demasiado Humano: um livro para espíritos livres. Trad: Paulo César de Sousa. São Paulo. Companhia das Letras: 2005

 

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Written by Michel Amary

janeiro 25, 2009 às 11:36 am

Publicado em Filosofia, Metafísica

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