O soco racional

"Aqui vemos sonhos tirados de livros"

A sociedade do espetáculo (Guy Debord)

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O espetáculo é o discurso ininterrupto que a ordem atual faz a respeito de si mesma, seu monólogo laudatório. É o auto-retrato do poder na época de sua gestão totalitária das condições de existência. A aparência fetichista de pura objetividade nas relações espetaculares esconde o seu caráter de relação entre homens e entre classes: parece que uma segunda natureza domina, com leis fatais, o meio em que vivemos. Mas o espetáculo não é o produto necessário do desenvolvimento técnico, visto como desenvolvimento natural. Ao contrario, a sociedade do espetáculo é a forma que escolhe seu próprio conteúdo técnico. Se o espetáculo tomando sob o aspecto restrito dos ‘meios de comunicação de massa’, que são sua manifestação superficial mais esmagadora, dá a impressão de invadir a sociedade como simples instrumentação tal instrumentação nada tem de neutra: ela convém ao automovimento total da sociedade. Se as necessidades sociais da época na qual se desenvolvem essas técnicas só podem encontrar satisfação com sua mediação, se a administração dessa sociedade e qualquer contato entre homens só se podem exercer por intermédio dessa força de comunicação instantânea, é porque essa ‘comunicação’ é essencialmente unilateral; sua concentração equivale a acumular nas mãos da administração do sistema os meios que lhe permitem prosseguir nessa precisa administração. A cisão generalizada do espetáculo é inseparável do Estado moderno, isto é, da forma geral da cisão na sociedade, produto da divisão do trabalho social e órgão da dominação de classe.

 

 

Bibliografia: DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. São Paulo. Contraponto: 1992

 

 

 

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2 Respostas

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  1. Guy Debord (1931-1994) – Co-fundador, em 1957, da Internacional Situacionista, foi seu co-dissolvente em 1972. Escritor e sociólogo francês, influência célebre das manifestações do 1968. Destaque para a ‘Sociedade do Espetáculo’,’Pângerico’ e ‘O declínio e a queda da economia espetacular mercantil’

    Michel Amary Neto

    fevereiro 11, 2009 at 6:33 pm

  2. A sociedade fica a mercê dos acontecimentos midiáticos, apenas como um simples receptáculo que aceita acriticamente os devaneios da mídia.

    Pedro Faria

    outubro 4, 2010 at 9:43 pm


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